segunda-feira, 3 de agosto de 2009

12 de Agosto: Aniversário dos Trólebus de Santos


No próximo dia 12 de Agosto comemora-se mais um aniversário do sistema de trólebus de Santos, inaugurado em 1963.

Aqui um breve resumo da história dos trólebus de Santos:

Em 1955 o Serviço Municipal de Transportes Coletivos (SMTC) de Santos começa o projeto de implantação do Serviço de Trólebus na cidade, da mesma forma como o sistema estava implantado em São Paulo e também em outras cidades como o Rio de Janeiro e Salvador.


A TRIBUNA DE SANTOSAs cinco primeiras unidades desembarcaram no dia 06 de Junho de 1963.

A foto ao lado mostra um dos trólebus ainda no navio Lloyd Guatemala, que trouxe desde o porto italiano de Livorno os modernos trólebus Fiat Alfa-Romeo Marelli Pistoiese.


Curiosidade: naquela época e durante muitos anos o nome trólebus era grafado como troleibus.

No dia 12 de Agosto daquele mesmo ano, é inaugurada a linha 5, a primeira linha de trólebus de Santos, ligando o Centro ao bairro do Macuco.

Santos contava com o serviço de ônibus e de bondes, e os trólebus eram considerados sinônimo de modernidade, uma mistura de ônibus com bonde.
Alguns anos depois, o sistema de bondes foi gradativamente sendo desativado - a exemplo do que ocorria no restante do Brasil.
Com a retirada dos bondes, mais linhas de trólebus eram sendo implantadas, e até 1967 o sistema teve uma boa expansão. Foram implantadas, além da linha 5, as linhas 53 (1964), 54 (1965), 8 (1966).

Em 1967 entraram em operação as linhas da avenida Conselheiro Nébias: 45, 44, 4 e 40, nesta ordem. Rápidos e eficentes, os trólebus eram rápidos, silenciosos e confortáveis.
Iniciava-se também a expansão para a Zona Noroeste, onde foi instalada toda a fiação e posteamento. Com a implantação dos trólebus naquela avenida, toda a frota de 50 trólebus poderia ser utilizada. Além dos trólebus, a cidade contava com grande número de bondes e também os ônibus à diesel do SMTC, além dos ônibus intermunicipais da Viação Santista e também da Viação Santos, S. Vicente e Litoral, e ainda da Viação Santos Cubatão.


Em 1968, com a implantação do novo governo municipal, visivelmente contrário aos bondes, iniciou-se a compra de dezenas de ônibus à diesel Mercedes-Benz, e foram canceladas diversas linhas de bondes e os trólebus também não tiveram a expansão pretendida, inclusive foi suspensa a implantação da linha de trólebus para a Zona Noroeste, apesar de haver a fiação na avenida Nossa Senhora de Fátima.

Com a extinção dos bondes em 1971 chegou a se cogitar também a extinção dos trólebus: a rede aérea, com problemas na manutenção provocava queda de energia elétrica e, consequentemente, a paralisação dos trólebus, causando transtornos à população.
Em 1972, baseada em experiência no Rio de Janeiro, um trólebus santista foi convertido para diesel, que é o trólebus 542 da foto ao lado. No Rio, toda a frota foi convertida, mas em Santos, naquela ocasião, apenas aquele trólebus havia sido convertido e ficou em circulação durante muitos anos na frota municipal.


Em 1976 a Companhia Santista de Transportes Coletivos (CSTC) substituiu o SMTC, seriamente endividado e sem condições de adquirir novos veículos. Mesmo com a nova companhia, durante aquela década, com a quebra e sucateamento dos ônibus e trólebus, uma empresa particular é autorizada e explorar o serviço de ônibus, juntamente com a CSTC. A Viação Santos, São Vicente e Litoral Ltda começa a operar os ônibus com a inscrição "Municipal". Os trólebus continuaram a se sucatear, restando poucos veículos em condições de operação, diminuindo a frota de elétricos da cidade. A linha 45 de trólebus é extinta.


Com o aumento do trânsito de veículos, diversas ruas de mão dupla tornaram mão única, e os trólebus que trafegavam na contramão chegaram a causar acidentes, então linhas como a 53 e a 40 foram extintas, pois seguiam em direção ao Orquidário pela rua Marechal Floriano Peixoto, em plena contramão, e em uma região turística, conforme vemos na foto ao lado.

A linha 4 foi mantida, mesmo percorrendo bom trecho em contramão na avenida Epitácio Pessoa, o que causou acidentes e atropelamentos.








Ao final dos anos 1970, houve um programa de implantação de trólebus em diversas cidades do Brasil, pela Empresa Brasileira de Transportes Urbanos (EBTU), que também previa melhorias nas vias públicas para melhor circulação dos trólebus. Cidades como Ribeirão Preto e Araraquara inauguraram seus serviços de trólebus graças aquele programa de incentivo.
Em Santos, pela EBTU, conseguiu-se a reforma e revitalização da frota ainda existente dos trólebus, num total de 25 unidades, e também foram adquiridos 8 novos trólebus, desta vez brasileiros, da empresa Marcopolo.

Com os novos trólebus Marcopolo e os 25 FIAT reformados, que praticamente foram reconstruídos, e renumerados (a foto ao lado mostra um trólebus na CSTC após a reforma) foram reativadas as linhas 5, 40 e 53 e implantadas novas redes aéreas em ruas e avenidas, evitando-se também os trólebus na contramão.

Em 1987, a CSTC adquire mais 6 trólebus, nacionais da empresa Mafersa e em 1988 a linha 20 que liga o Centro ao Gonzaga, passa a ser operada por trólebus.
Novamente é iniciada a expansão do sistema em direção a Zona Noroeste, com a implantação de fiação na avenida Martins Fontes.


Em 1989 no entanto, a ampliação é novamente suspensa, e com o passar dos anos a frota de trólebus de Santos começa a se degradar. Em 1993 restavam apenas 2 linhas de trólebus (4 e 20). Em 1996 a prefeitura tira de circulação todos os 11 trólebus FIAT que ainda estavam em operação, além de 7 unidades Marcopolo. Restaram apenas 7 trólebus, e apenas a linha 20.

Em 1998, a empresa particular Piracicabana assume o transporte coletivo em Santos com a previsão de implantação de novas linhas de trólebus, o que não ocorreu efetivamente.

Atualmente há 6 trólebus em circulação na cidade de Santos, operando uma única linha, a linha 20.



Em 2008 a Prefeitura de Santos anunciou a criação do sistema de trólebus turístico, ligando o Centro ao Gonzaga, operando em conjunto com os bondes do centro da cidade.


Há nas dependências da antiga CSTC (atual C.E.T.) uma carroceria de um antigo trólebus FIAT, que serviu de biblioteca volante, conforme vemos na foto ao lado.

Este trólebus italiano FIAT, de 1963, poderá, quem sabe, ser reformado e recaracterizado, e também poderá ser pintado nas suas cores originais, ou seja, prata e vermelho.

Então teremos um verdadeiro exemplar histórico do início do serviço de trólebus rodando pela cidade de Santos. O trólebus é o único tipo de ônibus que não emite poluentes, é o chamado veículo de emissão zero.

Em várias cidades importantes do Mundo o trólebus é chamado de veículo "verde" e é bastante incentivado, pois além de confortável, não polui o meio ambiente.

Curiosidades:
- No Brasil só circulam trólebus em Santos e na Grande São Paulo (São Paulo e no corredor que liga as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André e Diadema à capital).
- Santos é a única cidade do Brasil e uma das poucas no mundo onde existe Trólebus e Bondes circulando lado-a-lado, dois tipos de veículos elétricos na mesma via.

Trolebus e bonde juntos: foto de Emilio Pechini

Então, no dia 12 de Agosto, comemore na cidade de Santos os 46 anos dos nossos amigos Trólebus!
Faça uma passeio na linha 20. E vamos torcer para que haja uma nova expansão dos trólebus na cidade de Santos, um transporte coletivo mais confortável e duradouro, e além disso, ajuda a combater a poluição.

Um comentário:

  1. FLAVIO A. FERNANDES10 de maio de 2010 11:20

    QUE SAUDADES DAQUELA ÉPOCA (ANOS 60/70)
    VIAJEI MUITO QUANDO ERA JOVEM NESSAS LINHAS REFERIDAS DE TROLEIBUSS DA EXTINTA C M T C
    LINHAS QUE SAIAM DA SUA MAIORIA DA PRAÇA MAUÁ
    OU DA PRAÇA RUI BARBOSA!
    ME LEMBRO DAQUELA ÉPOCA EM QUE TRABALHAVA NO CENTRO HISTORICO DE SANTOS!QUANTAS SAUDADES!!!

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